Há poucos dias, arautos de um determinado projeto de poder sinalizaram que milhões de servidores públicos deste país deveriam ser substituídos por programas de inteligência artificial.
A ideia não é recente e já foi implementada nos Estados Unidos, pela sua atual administração federal. Felizmente, por lá, o sucesso almejado por seus defensores não se concretizou. A demissão maciça criou problemas em diversos setores, mostrando que uma nação depende de um serviço público bem estruturado, livre das pressões do governo e prestado por pessoas dignas de credibilidade.
Felizmente, também, para os servidores públicos brasileiros, o projeto de poder defensor de um Estado (ultra) mínimo e maciçamente tecnológico não alcançou vitória nas urnas. Ao menos, pelos próximos quatro anos, a IA não substituirá os seres humanos nos órgãos públicos.
Mas, a simples existência dessa corrente de pensamento, que ignora a essência e a finalidade do serviço público, torna imperiosa uma reflexão sobre a nossa participação na estrutura do Estado e a importância do nosso trabalho para a sociedade brasileira.
A celebração do Dia do Servidor Público, neste 28 de outubro de 2026, longe de deve ser festiva, deve questionar por que os servidores públicos são sempre a força de trabalho a ser cortada e/ou substituída por contratações pontuais, nos modelos de Estado que se dizem “inovadores” quando, de fato, são usurpadores de direitos sociais e garantias constitucionais.
Nós, Auditores-Fiscais da Receita Federal, somos servidores públicos que zelam pela correta aplicação da legislação tributária, aduaneira e previdenciária, num país tão vasto e diverso. Nossa atuação é imprescindível para o combate ao contrabando e aos ilícitos tributários que geram graves perdas e, por conseguinte, fomentam uma enorme desigualdade social.
Com o respaldo da Constituição Federal, precisamos trabalhar com autonomia e estabilidade, para a defesa do interesse público.
Numa época em que a verdade é facilmente manipulada e distorcida, também nos cabe esclarecer os cidadãos sobre o que representam tributação, arrecadação, previdência social. E, acima de tudo, devemos enfrentar todas as tentativas de desmonte do Estado brasileiro.
Nosso trabalho é imprescindível para proteger a economia nacional, o meio ambiente, a saúde da população, as normas sanitárias, a produção lícita de bens e produtos, a concorrência leal e os empregos, a segurança social, a poupança previdenciária dos aposentados e pensionistas. Em síntese, nosso trabalho diário tem, como finalidade, manter o Estado brasileiro funcionando – e, no que depender de nós, com justiça fiscal.
Neste 28 de outubro, vamos refletir sobre nosso papel como servidores públicos e agentes para a garantia de uma sociedade menos desigual. E valorizar o caminho que escolhemos, quando ingressamos na estrutura do Estado brasileiro tendo a Receita Federal como porta de entrada. Porque, para o correto funcionamento do Estado e a manutenção dos direitos da sociedade brasileira, nós somos essenciais!
Foto: Canva
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