Próximo ‘Encontro com Arte&Cultura’ será com ‘Bonecas que Contam Histórias’
A próxima atividade sociocultural do projeto “Encontros Cariocas com Arte&Cultura” da DS/Rio é a exposição “Bonecas que contam histórias: saberes das mulheres do Quilombo São José da Serra”. Acontecerá no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), à Rua do Catete, 179, no dia 18 de junho (quarta-feira), às 15h. A entrada é gratuita.
Quilombo São José da Serra – O Quilombo São José da Serra, o mais antigo do Estado do Rio de Janeiro, é um patrimônio com mais de 150 anos de História. Está localizado no Distrito de Santa Isabel, no município de Valença/RJ, sul do estado do Rio de Janeiro, na Região do Vale do Café (que inclui cidades como Vassouras, Valença e Paty do Alferes). Foi lá que, a partir do século XIX, um eixo de riqueza e poder econômico se desenvolveu, a partir das grandes fazendas cafeeiras que dominavam a paisagem, sustentadas pela mão de obra escravizada, e veio a se tornar o maior polo produtor de café do Brasil.
Os escravizados eram a base produtiva das fazendas: realizavam desde o plantio até a secagem dos grãos, tarefas essenciais para a lucratividade do café. Desse modo, em 1838, ocorreu em Paty do Alferes a maior rebelião contra a escravidão da região, envolvendo mais de 300 pessoas. Ela foi liderada por Manoel Congo (ferreiro escravizado) e Mariana Crioula, figuras que simbolizaram a luta por liberdade ainda hoje, embora não tenham logrado êxito para o seu objetivo principal. Muitos dos rebeldes fugiram para as serras da região, iniciando assim o processo de aquilombamento.
Em 30 de abril de 2025, o Quilombo São José da Serra completou uma década de titulação pelo instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aos Quilombolas, conseguida depois de muita luta pela posse da terra. Lá vivem, atualmente, 200 moradores (38 famílias). Um de seus eixos é a Tenda Espírita São Jorge Guerreiro e Caboclo Rompe Mato, que mantém vivos os ritos da Umbanda praticados ao longo dos tempos, ampliando o arco de saberes que perpetua a matriz do quilombo.
Bonecas – O artesanato é uma atividade característica do Quilombo; seus moradores fazem trabalhos em madeira, linha, tecido, quadros e cestaria. Dentro desta tradição, a produção das bonecas se iniciou em meados dos anos 2000, para geração de renda e aproveitamento da bucha e da palha de milho. O aprendizado se dá em meio a uma prática de vivência comunitária, que integra práticas religiosas, mobilização política, identidade coletiva, noção de pertencimento e proteção do território.
Bucha e palha de milho se transformaram em arte e memória viva, não apenas porque são artesanais, mas porque são um trabalho em que mulheres se ajudam umas às outras, num ambiente onde se discutem assuntos da comunidade. O efeito disso é criar os laços interpessoais e a consciência sobre os interesses comuns; além de trazer, devido à venda das bonecas, independência e valorização para as artesãs e para as mulheres em geral. Assim, o trabalho, embora novo, dá continuidade ao fazer ancestral do artesanato, sendo repleto de significados e importância, memória e tradição. As bonecas falam, portanto, de saberes: afeto e espiritualidade, luta e resistência, raízes e identidade.
No Quilombo, a renda da mulher faz diferença na vida das famílias – e as bonecas estarão à venda.
Exposição – A exposição foi inaugurada em 22 de maio, com a apresentação de uma roda de jongo, ritmo característico da cultura afro-brasileira e famosa no roteiro da região; e vai até dia 26 de junho.
É parte do Programa Sala do Artista Popular (SAP), do CNFCP/Iphan, no Catete, realizada em parceria com a Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec). O SAP fomenta, desde 1983, a venda dos trabalhos feitos nos mais distantes rincões do país, e já contou com a participação de mais de 4.000 artesãos.
Não perca o passeio: a exposição se encerra uma semana depois! A gente se encontra no saguão de entrada.
Sobre o projeto
Com o projeto “Encontros Cariocas com Arte&Cultura”, planejamos visitar locais históricos e eventos famosos do Rio de Janeiro que sejam de fácil acesso, baixo ou nenhum investimento/despesa pessoal e de extrema importância na construção identitária de uma cidade com vocação para encantar e divertir multidões.
Sugestões – As opções são variadas e esperamos também sugestões dos colegas. A única recomendação é que sejam locais próximos ao eixo Centro-Lapa-Catete-Flamengo-Botafogo, pela facilidade de transporte coletivo e rapidez no deslocamento.
Os interessados em participar das atividades devem fazer contato com a secretaria da DS/Rio, pelo telefone (21) 3916-8550, informando nome, celular e disponibilidade de horário.
Vamos passear e nos divertir juntos nos Encontros Cariocas com Arte&Cultura!
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

