Um patrimônio do Sindifisco Nacional com 33 anos de existência, criado com ousadia e determinação a partir de uma ideia inovadora, e gerenciado pelos próprios Auditores-Fiscais da Receita Federal, para atender às necessidades e expectativas que os planos de saúde de mercado da época não cobriam a contento.
Em síntese, é esse o sentimento em relação ao Unafisco Saúde compartilhado pelos beneficiários que participaram do Seminário Unafisco Saúde: desafios, sustentabilidade e perspectivas, realizado no dia 24 de setembro, na sede da DS/Rio de Janeiro, e transmitido ao vivo pela TV Sindifisco para os filiados de todo o País.
Organizado pela Diretoria Nacional do Plano de Saúde, em parceria com a DS/Rio, o evento de caráter técnico abordou a situação atual dos planos de autogestão e as novidades que, em breve, certamente irão impactar o setor da saúde suplementar no Brasil.
Patrimônio – Na abertura do evento, o presidente do Sindifisco Nacional, Auditor-Fiscal Dão Real Pereira dos Santos, agradeceu a disposição da DS/Rio de promover o seminário e destacou que a situação e o planejamento do futuro do Unafisco Saúde interessam a todos os filiados, e não somente aos beneficiários, uma vez que “o Plano é um patrimônio do Sindicato e pertence a todos os Auditores-Fiscais”.
Segundo ele, “há similaridade entre o papel do Sindicato e o do Unafisco Saúde”, visto que “nosso plano de saúde funciona como uma espécie de cooperativa e não difere do princípio sindical da solidariedade, da comutatividade e da mutualidade”. Nesse sentido, na entidade sindical, “somos guardiões dos recursos dos filiados e lhes devolvemos saúde complementar. O importante é que, no decorrer da nossa história, todos nos sintamos assistidos pelo Sindicato e pelo Plano de Saúde”.
Dão Real enfatizou, ainda, que o Unafisco Saúde “é um case de sucesso e o único plano de saúde de autogestão desse porte vinculado a um sindicato”, no Brasil. Em 33 anos de existência, “atravessando diferentes legislações, períodos sem regulação e momentos de grande dificuldade, o Plano se mantém como um exemplo de sucesso, com saúde financeira e mais de 30 mil vidas atendidas”. Na avaliação do dirigente sindical, isso foi possível porque o Unafisco Saúde “é um patrimônio coletivo, construído e sustentado por toda a categoria”, que “deve ser preservado e valorizado”.
Fortalecimento – Participando online do evento, o presidente da Mesa Diretora do Conselho de Delegados Sindicais (CDS), Auditor-Fiscal Elias Carneiro, afirmou que o Plano de Saúde “é uma das grandes conquistas da carreira” e tem uma forte ligação com o Rio de Janeiro.
Em seu entendimento, devido à importância para a categoria, “precisamos fortalecer cada vez mais o Plano”. Por isso, no mês de outubro, haverá em São Paulo uma reunião específica do CDS sobre o tema.
Desafio – Uma das grandes preocupações atuais do diretor do Plano de Saúde, Auditor-Fiscal Adriano Corrêa, é “pensar o futuro” do Unafisco Saúde. Nesse sentido, a expectativa era trazer para o seminário a reflexão sobre o futuro da operadora e do setor de autogestão em saúde.
‘É um desafio garantir a sustentabilidade da operação num mercado que vem sofrendo grandes mudanças”, num país em que “75% da população só podem contar com o SUS, mas onde a saúde suplementar tem sua função, porque o SUS não consegue dar contar de tudo”, disse Adriano.
O dirigente sindical lembrou, ainda, que “recentemente, tivemos um reajuste [nas mensalidades do Plano] que impactou no orçamento das famílias”, mas se constituiu na alternativa para manter a sustentabilidade do Plano. “Estamos aqui para debater os desafios e agradeço o empenho da DS/Rio para construir este seminário”, complementou.
Retrospectiva – A diretora-Adjunta do Plano de Saúde, Auditora-Fiscal Conceição Jacó, apresentou a história do Unafisco Saúde, desde a ideia embrionária, lançada em 1991, na gestão da Auditora-Fiscal Maria Izabel Augusta Figueiredo Mota de Almeida, “quando nem havia regulamentação específica no Brasil”.
No espaço de um ano, o sonho adquiriu forma e se concretizou, após um intenso e abnegado trabalho dos membros da direção sindical e seus apoiadores, que envolveu a contratação de uma empresa de consultoria, reuniões em diversas bases sindicais, produção de boletim informativo diário para tirar as dúvidas dos colegas, mobilização de sala em sala em âmbito nacional, a fim de reafirmar à categoria a importância de ter um plano de saúde próprio e se livrar das imposições dos planos de mercado.
Lançado em 1992 com 900 beneficiários, o então PASS (Programa de Assistência à Saúde) foi se consolidando a cada ano. Em 2000, com o advento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), houve a exigência do registro de todas as operadoras e o nome mudou para Premium, o “plano original”. A regulação, as transformações no setor e as exigências da ANS foram determinando mudanças no Plano, com a introdução de outras modalidades e a denominação Unafisco Saúde – que, atualmente, possui 32.088 beneficiários, com seis operadoras parceiras, 228 mil prestadores de serviço na rede indireta e 4.324 na rede direta.
Emoção – A apresentação da linha histórica do Plano de Saúde emocionou a presidente da DS/Rio, Auditora-Fiscal Catia Beserra. Com lágrimas nos olhos, ela lembrou os obstáculos enfrentados para a consolidação de uma ideia considerada “muito ousada” e que envolvia enorme responsabilidade.
Conforme destacou Catia, “foi muito desafiador, uma construção muito complexa”, que contou com a participação efetiva de diversos colegas – alguns deles estavam presentes no auditório da DS/Rio, para prestigiar o seminário, e foram citados nominalmente pela dirigente sindical.
A recordação dessa trajetória e a oportunidade de celebrar os 33 anos do Plano de Saúde deixaram Catia “muito feliz”, bem como a iniciativa das Delegacias Sindicais de Recife, Ceará, Caruaru e Curitiba, que organizaram eventos presenciais em suas sedes, para os filiados assistirem juntos à transmissão do evento pela TV Sindifisco.
Conjuntura – A primeira Mesa do seminário tratou do tema “Conjuntura do segmento dos planos de saúde de autogestão”, com a participação do médico, sindicalista, ex-deputado federal e secretário Executivo da ANS, Francisco José D’Ângelo Pinto, e do advogado e consultor jurídico José Luiz Toro da Silva, com mediação do presidente do Sindifisco Nacional, Auditor-Fiscal Dão Real Pereira dos Santos.
Os palestrantes fizeram uma análise do setor da saúde, mas com abordagens diferenciadas. Francisco D’Angelo, que assumiu o cargo na ANS há cerca de 15 dias, falou sobre os planos de gestão do novo diretor-presidente da agência, o advogado e ex-deputado Federal Wadih Damous.
Segundo o secretário, a nova gestão da ANS irá priorizar a saúde dos beneficiários, visto que o acesso à saúde suplementar (plano de saúde) se tornou o terceiro maior objeto de consumo da população brasileira, após a epidemia da Covid-19. Entre os desafios listados para o gerenciamento do setor, no tocante aos planos de autogestão, ele citou a existência de mais 600 planos, o alto custo operacional, a densidade demográfica, o envelhecimento das carteiras, o uso desorientado da rede, a alta sinistralidade, a necessidade de incorporação das novas tecnologias. Mas, expressou otimismo quanto ao trabalho de conscientização e mais informação dos beneficiários sobre o uso racional dos serviços. “O beneficiário bem cuidado pelo sistema reduz os riscos para todos”, opinou.
Regulação – A ênfase da palestra de José Luiz Toro foi a nova regulação dos planos de autogestão. O consultor jurídico disse que o segmento encolheu nos últimos anos, em número de beneficiários, devido à regulação extremamente restritiva. O cenário atual mostra que: mais de 30% das carteiras são integradas por pessoas idosas; a sinistralidade é muito alta e a permanência das pessoas nos contratos vai até o final de suas vidas.
Com essa conjuntura, a ANS está no momento final de rever e trazer mudanças significativas no marco regulatório, para oxigenar um setor que não tem fins lucrativos. “Na autogestão, os beneficiários votam as decisões e não há relação de consumo, pois os consumidores são também os financiadores dos planos”, lembrou.
O advogado falou, ainda, sobre decisões recentes do STJ referentes ao rol de procedimentos e à incorporação de novas tecnologias, bem como boas práticas de Justiça e Saúde. Uma das resoluções recentes parte do princípio de que muitos problemas na saúde suplementar são decorrentes da deficiência de comunicação. Por isso, é fundamental levar em conta questões como acolhimento, ouvidoria, motivo de cada problema, metas de excelência de desempenho das operadoras, que precisam rever e reavaliar os seus procedimentos. “Tudo isso tem um custo, mas a consequência é o bom atendimento e, possivelmente, a menor judicialização”, opinou ele.
Abertura preocupa – Entre as mudanças no marco regulatório para combater o envelhecimento das carteiras, está prevista a abertura dos planos de autogestão à admissão de beneficiários pertencentes a categorias profissionais diferentes. A mudança deve ser aprovada no próximo mês de outubro, pois já passou por todo o trâmite da ANS.
A notícia trouxe questionamentos de diversos colegas presentes no auditório, preocupados com a perda da essência dos planos de autogestão, o ingresso massivo de portadores de comorbidades, a concorrência predatória e a dificuldade na preservação da qualidade do atendimento, entre outros aspectos.
Na avaliação do consultor jurídico, a oxigenação das carteiras traz oportunidades e riscos. Além disso, “qualquer mercado regulado tende à concentração”. Na conjuntura atual, com o envelhecimento das carteiras e a falta de concursos públicos para o ingresso de novas vidas, o esvaziamento aumenta. Mas, em sua opinião, essa abertura precisa ser conversada, especialmente porque também traz riscos.
Pessoas fabulosas – Após almoço de confraternização oferecido pela DS/Rio no restaurante Cais do Oriente, os participantes tiveram a oportunidade de ouvir as Auditoras-Fiscais Maria Izabel Augusta Figueiredo Mota de Almeida e Angélica Barreto falarem sobre “A Origem e o Papel do Plano de Saúde”, com mediação de Catia Beserra.
Coube a Maria Izabel, que foi a primeira presidente do Sindifisco (1989 a 1991) e do Unafisco Nacional (1991 a 1993), resgatar parte importante da memória da criação do Plano de Saúde, citando colegas fundamentais na condução da ideia inusitada, que livrou os Auditores-Fiscais e seus dependentes das garras dos planos de mercado.
Abordando fatos relacionados à época e à estrutura existente, Maria Izabel enalteceu a participação dos envolvidos na “aventura” e complementou, taxativa: “Por que deu certo? Tínhamos pessoas fabulosas em todos os lugares. Os diretores eram muito amigos e valorizavam as características uns dos outros”.
Iniciativa revolucionária – Dando sequência à fala da colega, a Auditora-Fiscal Angélica Barreto fez uma breve análise sobre a iniciativa revolucionária de criação e manutenção de um plano de saúde dentro de um sindicato. Uma ideia, aliás, que trazia alto risco de perda pessoal – a fim de capitalizar o plano de saúde próprio, os envolvidos abriram mão de seus planos de saúde originais e fizeram depósitos vultosos, durante meses, referentes ao número de vidas que cada um pretendia vincular ao empreendimento. Se não desse certo, os valores seriam resgatados.
“O tempo de gestação [da ideia] foi grande, porque era muita responsabilidade, envolvia a saúde das pessoas. O plano recebeu muitas críticas, porque era muito abrangente. Mas, por outro lado, foi gerado numa época em que o País estava ressurgindo; era um país que queria mudanças, que ansiava por solidariedade. E nós representávamos o Estado brasileiro. Para o mundo, a opinião dos Auditores-Fiscais importava, fazia diferença”, contou Angelica, recordando ainda o intenso trabalho de convencimento dos colegas para alavancar a iniciativa.
“Ficamos mais de um ano sem assistência à saúde, apostando nesse plano de saúde, que se tornou um patrimônio. Isso nos traz a responsabilidade do coletivo para cumprir suas regras, um rigor na atuação maior do que num plano de mercado”, finalizou Angélica.
Desafios e expectativas – A terceira Mesa do evento reuniu os Auditores- Fiscais Adriano Corrêa, diretor do Plano de Saúde, e Mário Mendes, presidente do Conselho Curador do Unafisco Saúde, num debate sobre “Presente e Futuro do Unafisco Saúde”, mediado pela Auditora-Fiscal Sonia Mesentier.
Mário Mendes já ocupou a direção do Plano de Saúde em duas ocasiões e, desde janeiro de 2024, representa a 9ª Região Fiscal no Conselho Curador do Unafisco Saúde. Em sua avaliação, o Conselho tem um papel importante e específico para dar suporte e para que o Plano se mantenha no futuro”.
Medidas adequadas – No entendimento de Adriano Corrêa, o Unafisco Saúde é “uma subsidiária do Sindifisco Nacional” e a diretoria deve estar sempre “tomando medidas adequadas para ter capacidade de resolver as demandas”.
“Gerir uma arrecadação mensal de R$ 60 milhões não é tarefa simples, equivale a uma empresa de grande porte e estamos empenhados em aprimorar a governança. As dificuldades enfrentadas este ano serão superadas, mas para isso tomamos medidas para controle mais efetivo”, afirmou o diretor.
Entre as providências já encaminhadas, estão: a contratação de uma empresa de inteligência artificial para identificar problemas com boletos; a retomada, em outubro, do atendimento da Clínica São José, no Rio de Janeiro; auditoria interna; programas de prevenção para deixar de atuar na doença e, por consequência, baixar os valores das contas relativas aos serviços médicos e hospitalares; reforço na equipe jurídica para acompanhamento das ações judiciais e, também, para evitar a judicialização.
Firmeza – Adriano reiterou que o reajuste recente impactou bastante os beneficiários, mas foi necessário para cobrir os custos. Em contrapartida, neste mês de setembro, a operadora passou a apresentar superávit e está com reservas sólidas em curva de recomposição. “Os problemas existem, mas são tratados com firmeza. Nunca atrasamos pagamentos, temos credibilidade elevada no mercado, o cenário positivo nos dá tranquilidade”, assegurou o dirigente sindical.
Na sequência, diversos participantes do seminário fizeram perguntas aos componentes da Mesa e apresentaram sugestões para otimizar o gerenciamento das situações cotidianas, aumentar o número de vidas nos contratos, atender às necessidades dos beneficiários sem perder qualidade de atendimento.
O seminário terminou com elogios dos beneficiários do Unafisco Saúde à organização do evento e à oportunidade de um debate aberto e franco sobre as questões relacionadas a esse patrimônio intangível dos Auditores-Fiscais da Receita Federal.
Bem-estar – Além das palestras, a organização do evento demonstrou sua preocupação com o monitoramento e a prevenção, oferecendo aos beneficiários massagem terapêutica e aferição de pressão arterial e glicose, com profissionais especializados.
Funcionários do Unafisco Saúde também foram colocados à disposição dos interessados para dirimir dúvidas sobre questões do plano. E todos os participantes do evento presencial receberam dois brindes funcionais: uma garrafa de alumínio com capacidade para 600 ml de água, com as logomarcas do Sindifisco Nacional e do Unafisco Saúde – para se lembrarem que a hidratação constante é essencial à saúde – e uma maçã, acondicionada em linda embalagem contendo a mensagem “uma maçã para o seu dia ficar mais saudável”.
A diretoria da DS/Rio agradece a iniciativa do Sindifisco Nacional e a efetiva participação dos colegas beneficiários no evento.
Fotos: Jornalismo DS/Rio
















